Uma jornada de liderança em tempos de incerteza: entre o país das maravilhas e o mundo real

Na manhã de ontem, cruzamos as portas do Café Journal e, de certa forma, entramos em um universo que mais parecia o País das Maravilhas de Alice. Mas, ao contrário de encontrar coelhos apressados e chapeleiros malucos, nos deparamos com uma realidade que exigia uma reflexão profunda sobre a liderança

Essa frase, que abriu a fala de Luana Piva, Diretora de Inteligência Competitiva da ACE Cortex, não foi apenas uma metáfora bonita. Foi um alerta estratégico. No mundo atual, em que os ciclos de inovação são curtos, o comportamento do consumidor muda rapidamente e a tecnologia redefine setores inteiros, ainda estamos formando líderes para operar em estruturas previsíveis. E é aí que mora o problema.

Luana nos levou a encarar um paradoxo: enquanto o mercado se move em alta velocidade, muitos líderes ainda operam com base em certezas do passado. Com isso, perdem o tempo de resposta necessário para criar vantagem competitiva. Ela comparou essa dinâmica à de Alice: quando não sabemos para onde estamos indo, qualquer caminho parece suficiente — até que percebemos que o tempo passou e o mercado seguiu em outra direção.

No centro de sua fala, estava a necessidade de desafiar os modelos mentais tradicionais que moldam nossa forma de liderar. Especialmente o Pipeline de Liderança, criado em um contexto onde previsibilidade era sinônimo de sucesso. Hoje, esse modelo reforça a separação entre estratégia e execução, concentra a visão de negócio apenas no topo e trata a liderança como um processo de ascensão linear, e não como uma prática de adaptação contínua. O resultado? Lentidão, fragmentação e uma cultura de conformidade.

Luana provocou: Como esperar coragem, autonomia e inovação de uma liderança que passa o dia pedindo aprovação para seguir adiante? Em vez de formar líderes para subir na hierarquia, precisamos formá-los para destravar a organização.

Reinventar, portanto, não é apenas sobre ter boas ideias — é sobre desenvolver a capacidade de desafiar verdades estabelecidas, reconfigurar modelos mentais e abrir espaço para novas possibilidades. E essa jornada, como a de Alice, exige mais do que curiosidade. Exige ousadia para fazer as perguntas certas, mesmo quando ninguém tem as respostas.

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